indicato cobra medidas que garantam imparcialidade e transparência no processo de avaliação dos bancários
O Itaú iniciou o processo de avaliação individual dos funcionários. No entanto, diferentemente dos anos anteriores, o Comitê Evolui, responsável por discutir as avaliações de cargos como Agentes de Negócios, Líderes e Gerentes, passou a ocorrer sem a participação do consultor de Recursos Humanos. A função foi delegada exclusivamente aos superintendentes e aos GRNAs (gerentes regionais de negócios de agências).

A mudança tem gerado apreensão entre os representantes dos trabalhadores. Para o movimento sindical, a alteração levanta dúvidas sobre os critérios adotados no processo de avaliação e pode transmitir a percepção de maior subjetividade nas decisões. As entidades apontam que, mesmo com a presença do consultor de RH nos comitês anteriores, já havia dificuldade por parte dos bancários em compreender suas avaliações, muitas vezes questionando a desconexão entre as entregas realizadas no dia a dia e a classificação final recebida. Na avaliação dos representantes da categoria, com todo o processo conduzido exclusivamente pelos gestores, sem a participação do consultor de RH, abre-se espaço para interpretações individuais nas decisões.
“Chegou ao conhecimento das entidades que, na primeira reunião realizada sem a participação do consultor de RH, cerca de 75% dos avaliados foram classificados abaixo do esperado, o que amplia ainda mais os questionamentos sobre os critérios utilizados”, afirmou a representante da Feeb SP/MS na COE Itaú, Daniele Miyachiro.
Para a dirigente, causa estranhamento que um percentual tão elevado de bancários receba essa avaliação, considerando as metas cumpridas no cotidiano de trabalho e os sucessivos lucros registrados pelo banco.
De acordo com o modelo apresentado pelo Itaú, ao extrair os dados da base de resultados do sistema, o gestor passa a ter a responsabilidade de analisar diferentes aspectos das equipes, entre eles:
- concentração de bancários classificados acima ou abaixo do esperado na avaliação de performance;
- equipes com número relevante de profissionais em prontidão ou em “preparar saída”;
- possíveis incoerências entre momento de carreira, avaliação de performance e outros indicadores.
O movimento sindical também relembra que, em anos anteriores, os gestores tinham a prerrogativa de aplicar uma variação de até 0,20 na avaliação final — para aumentar ou reduzir a nota. À época, as entidades representativas dos trabalhadores já haviam manifestado preocupação com a possibilidade de esse mecanismo permitir a influência de critérios subjetivos nas decisões.
Diante desse cenário, o movimento sindical reforça a cobrança para que o Itaú adote medidas e dê publicidade aos procedimentos adotados, de forma a garantir transparência, imparcialidade, coerência e equidade no processo de avaliação dos bancários.
Fonte: FeebSP/MS