Proposta avança na pauta econômica e também contempla temas como NR-1, riscos psicossociais, direito à desconexão, monitoramento digital; Feeb SP/MS atuou na defesa das bancárias e dos bancários nas duas mesas nacionais
Após mais de 30 horas de negociação nesta etapa final da Campanha Nacional dos Bancários 2026, foi encerrada neste sábado (29) a mesa com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Depois de sucessivas rodadas e de uma longa negociação, os bancos apresentaram proposta com reposição de 100% do INPC mais 0,6% de aumento real acima da inflação neste ano e 100% do INPC mais 0.6% acima da inflação no ano que vem sobre todas as verbas.




A proposta representa uma mudança significativa em relação ao cenário apresentado no início da semana, quando a Fenaban chegou a oferecer reajuste abaixo da inflação. A mobilização da categoria e a atuação das entidades sindicais nas mesas de negociação elevaram o patamar da proposta até a reposição integral da inflação acrescida de ganho real.
O presidente da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Feeb SP/MS), David Zaia, destaca o processo de construção da proposta.
“Foi uma negociação extremamente intensa, com mais de 30 horas de discussão nesta etapa final, além de todas as rodadas realizadas ao longo da campanha. Saímos de uma proposta muito distante das reivindicações da categoria e chegamos à reposição integral da inflação com aumento real. Esse avanço não aconteceu por acaso. É resultado da negociação, da unidade do movimento sindical e, principalmente, da mobilização dos bancários e bancárias”, afirma Zaia.
Proposta econômica garante reposição da inflação e aumento real
No campo econômico, a proposta apresentada pela Fenaban prevê 100% do INPC mais 0,6% de ganho real para os salários, além da aplicação do percentual negociado à PLR e às verbas definidas no fechamento da mesa.
Nas rodadas anteriores, os bancos já haviam avançado para garantir 100% do INPC sobre diversas verbas previstas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), entre elas os auxílios creche e babá, auxílio para filhos com deficiência, ajuda de custo do teletrabalho, salário de ingresso, gratificação de caixa, adicional por tempo de serviço.
Também foram incluídos na correção pelo INPC valores referentes à requalificação profissional, auxílio-funeral, indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto, ajuda para deslocamento noturno e multa por descumprimento da CCT.
NR-1: negociação amplia participação sindical no acompanhamento dos riscos psicossociais
Entre os avanços na área de saúde e condições de trabalho está a discussão sobre a aplicação da NR-1 e o gerenciamento dos riscos psicossociais no ambiente bancário.
O texto prevê que seja apresentado à Mesa de Negociação Nacional sobre Saúde dos Bancários um quadro setorial sobre a aplicação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), com destaque para os fatores de riscos psicossociais previstos na NR-1.
Nos bancos que possuem comissão de empregados, os documentos disponibilizados às entidades sindicais deverão ser apresentados e analisados anualmente no âmbito dessas comissões. Nos demais bancos, as informações serão disponibilizadas à entidade sindical abrangida pela Convenção Coletiva.
A proposta estabelece critérios para garantir a proteção dos dados pessoais e o sigilo dos prontuários médicos, ao mesmo tempo em que possibilita à representação sindical acompanhar informações relacionadas à saúde e à segurança no trabalho.
As divergências que não forem solucionadas nas comissões de empregados deverão ser encaminhadas à Mesa de Negociação Nacional sobre Saúde dos Bancários antes da adoção de qualquer medida judicial.
Assédio, desconexão e monitoramento entram no debate
A negociação também tratou de outras questões relacionadas às novas formas de organização do trabalho.
Em relação ao assédio moral, sexual e outras formas de violência, a proposta inclui no canal de denúncias dos bancos os casos ocorridos no ambiente de trabalho, inclusive quando o agressor for cliente.
No monitoramento digital, o texto estabelece princípios para a utilização de equipamentos e ferramentas de trabalho pelos bancários mantendo a transparência, o respeito à privacidade e a intimidade do trabalhador e em conformidade com a legislação vigente e a LGPD.
Durante o teletrabalho, fica vedada a captura de imagens e/ou áudios dos empregados para fiscalização do cumprimento da jornada. O documento estabelece ainda que avaliações, advertências ou outras medidas disciplinares não poderão ser aplicadas de forma unicamente automatizada, devendo estar sujeitas à avaliação humana realizada por gestor ou preposto da empresa.
Outro avanço está no direito à desconexão. O texto estabelece que o empregado tem direito a se desconectar e deve compatibilizar suas atividades profissionais com os intervalos para refeição e os demais períodos de descanso. Também determina que o trabalhador não é obrigado a atender demandas profissionais durante os intervalos e períodos de descanso ou férias, independentemente do meio utilizado, como ligações, mensagens escritas, áudio ou videochamadas.
Zaia destaca mobilização da categoria
Para David Zaia, o resultado das negociações deve ser compreendido dentro de todo o processo da Campanha Nacional, que exigiu resistência e mobilização diante das propostas apresentadas inicialmente pelos bancos.
“Não foi uma negociação simples. Tivemos momentos em que havia uma distância muito grande entre o que a Fenaban colocava na mesa e aquilo que os bancários reivindicavam. A categoria mostrou sua força e isso foi fundamental para que pudéssemos avançar tanto na pauta econômica quanto em questões importantes relacionadas às condições de trabalho e à proteção dos direitos”, ressalta.
A Feeb SP/MS acompanhou as negociações da Campanha Nacional nas duas mesas nacionais com ampla participação dos dirigentes, defendendo a valorização dos salários, aumento real, manutenção dos direitos da Convenção Coletiva e avanços nas condições de trabalho.
Com o encerramento das tratativas, a proposta será submetida a avaliação dos bancários e das bancárias para votação. A expectativa é de que as assembleias ocorram já na próxima semana.